Fato Social

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12/4/09

Remoção de favelas: política pública de habitação ou política pública de estética

Matéria de capa do jornal O Globo de hoje (12.05.2009) traz de volta a remoção de favelas como política pública de readequação das moradias populares. A manchete com letras garrafais afirma que “Paes diz que remoção de favelas não pode ser tabu”.

De fato, a questão não pode ser tratada como tabu, na medida em que pode ser eficiente política pública de melhoria da habitação daqueles moradores que muitas vezes construíram suas casas em áreas de riscos, casos dos desabamentos em dias de chuva. Claro que isso precisa ser tratado com bom senso, com o consenso dos moradores ali alojados. Mas não é esse o ponto. O que incomoda na matéria é a forma como a questão foi tratada. Ainda na capa do jornal o texto afirma que,

“A partir dos anos 80, a expressão remoção de favelas passou a ser estigmatizada como uma prática autoritária do passado. De acordo com Liana Rosemberg, professora da Faculdade de Educação da UERJ e especialista em urbanismo, o lado positivo das remoções foi esquecido. Sem elas, a Lagoa, por exemplo, poderia ter se transformado num grande complexo de favelas. Projeções indicam que o entorno da Lagoa teria hoje cerca de cem mil pessoas em favelas”.

Na página 15 do mesmo jornal, o título da matéria afirma que “Remoções salvaram a Lagoa: Cartão postal do Rio poderia ter sido transformado em complexo de favelas com pelo menos 96 mil moradores”.

Ou seja, uma política pública que poderia ser utilizada como forma de se garantir melhores formas de habitação para aqueles moradores que mais precisam, na verdade é enaltecida por sua eficácia estética. Não à toa, hoje, 40 anos após as remoções, a Lagoa possui o 5º. maior Índice de Desenvolvimento Humano dentre os bairros do Rio de Janeiro (0,959), enquanto a Cidade de Deus (0,751), para onde as famílias foram removidas, possui a 113º. posição no ranking do IDH, um dos piores do município segundo dados do IBGE no ano de 2000.

Não restam dúvidas de que as remoções, ao menos as defendidas pelo jornal O Globo, servem à um único interesse: segregar a cidade, removendo a parcela mais pauperizada da população para áreas afastadas do centro econômico da cidade, garantindo assim a tranqüilidade dos moradores da zona sul, notoriamente a parcela mais rica do Rio de Janeiro.

criado por theorodri    13:39 — Arquivado em: Sem categoria

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