Fato Social

A sociedade e o mundo da política para quem quer sair da caverna.

13/12/08

Em que espelho ficou perdida a minha face?

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles

 

No dia 10 de dezembro tive a prazerosa oportunidade de assistir a excelente peça "Em que espelho ficou perdida a minha face? " dos estudantes de Produção Cultural do Pólo Universitário de Rio das Ostras (PURO) da UFF.

 

A peça, que possui direção assinada pelo professor Gilberto Gouma, "questiona o tênue limite entre "normais" e "loucos" numa ácida crítica à psiquiatria e à repressão social".

 

Destaque para a linda atriz Livia Campos que dá um show em seu primeiro espetáculo. Não há como não mencionar a atuação de Bárbara Saboya e Marcelo Ginú que garantem a segurança e estabilidade de toda a peça. Devem ser lembradas também as dramáticas imagens captadas por Luciana Amato e Vitor Collatino.

 

Valeu a pena visitar Macaé e Rio das Ostras. Tanto pela peça, quanto pela apaixonante companhia.

 

Para quem não conhece, segue abaixo a letra de Clarisse, música da Legião Urbana que inspira o texto da peça.

Clarisse
Composição: Renato Russo

Estou cansado de ser vilipendiado.incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos,das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel,não se mexe,não se move.
Não trabalha
E clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto,seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor,o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende,não me olhe assim
Com este semblante de bom samaritano
Cumprindo o seu dever,como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente,ou inexistente
Nada existe pra mim,não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança é o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros,seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo resistir
E vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem quatorze anos

criado por theorodri    15:36 — Arquivado em: Sem categoria
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://fatosocial.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.