Fato Social

A sociedade e o mundo da política para quem quer sair da caverna.

28/4/08

Sobre Obama e a América Latina

Imagine a seguinte situação. A senadora Hillary Clinton vence a disputa nas prévias do Partido Democrata e se torna a candidata que concorrerá a eleição presidencial com o senador republicano John McCain. Hillary vence fácil a eleição e se torna a primeira mulher americana a se tornar presidenta dos Estados Unidos da América. Afinal de contas, nos últimos anos, compartilhar o mesmo partido que o presidente George W. Bush não é algo muito vantajoso para McCain. Mais tarde Hillary ainda se reelegeria facilmente como tem acontecido com os últimos presidentes do país. Pronto, o problema está colocado.

Ora, se tudo isto acontecesse, teríamos então uma incrível seqüência de 28 anos de alternância no poder entre apenas duas famílias: as famílias Clinton e Bush. Em 1989 Bush pai foi eleito e ficou no poder até 1993 quando Bill Clinton assumiu a presidência e foi reeleito. Seu sucessor é o atual presidente dos EUA, George W. Bush, O Filho, cujo mandato termina em 2009. Supondo a eleição e reeleição de Hillary, as famílias só sairiam do poder em 2017. Isso se não aparecer mais nenhum parente…Enfim, algo muito estranho para um país que supostamente prega a alternância do poder como alicerce de sua democracia. Isso para não falarmos que lá nos EUA não é necessariamente quem tem mais votos que se elege presidente. Humm, muito estranho tudo isso. Cheiro de hipocrisia no ar…

Digo tudo isso para mostrar a importância de Barack Obama ser o vitorioso das prévias do Partido Democrata. O fenômeno Obama não está descolado da conjuntura internacional que indica uma grande mudança na política da América. Em resposta ao neoliberalismo, a América Latina hoje conta com governos cada vez mais progressistas como Lula no Brasil, Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Michelle Bachelet no Chile, Cristina Kirchner na Argentina, Tabaré Vászquez no Uruguai, Rafael Corrêa no Equador, Raul Castro em Cuba e Daniel Ortega na Nicarágua. A última grande vitória foi a de Fernando Lugo no Paraguai, que derrotou o conservador Partido Colorado que governava o país há mais de 60 anos.

A "Nossa América", estudada tão bem pelo poeta e revolucionário cubano José Martí, está cada vez mais unida e precisa apenas vencer a barreira do "quinta coluna" colombiano Álvaro Uribe que transformou seu país em quintal do imperialismo estadunidense. Mas um grande passo para a redução da ofensiva imperialista é a eleição de Obama.

O republicano McCain, por exemplo, já se mostrou a favor de defender a ratificação do acordo de livre-comércio com a Colômbia. Em recente entrevista o senador afirmou: "Abrirei nossos mercados e farei o possível para abrir os mercados da América latina aos bens e serviços americanos. Esse seria um ingrediente central das minhas políticas em relação à região. Com o tempo, posso imaginar um acordo de livre-comércio hemisférico."

Ainda de forma perigosa, McCain declarou que "enfrentaria outros desafios avaliados com os líderes da região, como as contradições observadas dentro de algumas sociedades ou, ‘francamente’, o comportamento do senhor (presidente da Venezuela, Hugo) Chávez."

Já Obama, com uma postura completamente diferente, afirma que se eleito fixará um cronograma de retirada das tropas estadunidenses do Iraque. Uma boa sinalização para a paz mundial. Não devemos ter falsas ilusões com relação a Obama, mas devemos ter clara a compreensão de que sua eleição significa uma clara mudança na correlação de forças da América Latina, com grandes possibilidades de se garantir, finalmente, a soberania dos povos de nosso continente.

Viva Obama. Até a vitória.

 

criado por theorodri    14:33 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Chavez e Morales progressistas??? Acho que não estamos lendo os mesmos jornais… hehehe
    abçsss!

    Comentário por Léo Machado — 28 de abril de 2008 @ 22:10

  2. Olá…

    Não falei que ia virar leitora?

    Ainda estou conhecendo melhor o blog pra começar a postar comentários de verdade!

    Bjus

    Comentário por Paula Rangel — 2 de maio de 2008 @ 12:16

  3. “Nossa América” unida? É difícil… O projeto Mercosul tem pelo menos 25 anos e nunca vingou, imagine as 3 Américas juntas…
    Alguns anos atrás, falávamos em “esquerda unida” (só a do Brasil, imagine!) e nunca comseguimos…

    Comentário por Jussara — 2 de maio de 2008 @ 17:02

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