2/12/07
Sobre a polêmica no São Bento

“Assim, os Mosteiros de São Bento, sem terem formulado o programa educacional, transformaram-se em grandes centros de cultura e realizaram grandiosa atuação civilizadora”. (São Bento, o Eterno no Tempo - Dom Lourenço de Almeida Prado)
Na última semana muito alarde foi feito pelos meios de comunicação conservadores a respeito de uma falsa polêmica levantada no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro. A revista Veja trouxe matéria intitulada “Pregação marxista chega à 7ª série em tradicional colégio católico do Rio de Janeiro”. Já no Ex-Blog do Cesar Maia do dia 28 de novembro de 2007, o prefeito virtual afirma que “Marxismo de quinta categoria e fora de época, gera conflito no tradicional Colégio Católico São Bento (RJ)!”.
A polêmica começou quando o professor de geografia do colégio, Paulo Lívio, distribuiu para sua turma de sétima série uma apostila sobre os fundamentos do capitalismo. Por discordarem do conteúdo crítico da apostila, alguns pais resolveram escrever uma carta ao Reitor do colégio, Dom Tadeu de Albuquerque, questionando o método utilizado pelo professor. Acusam o professor de fazer apologia do comunismo, ignorando que o marxismo mais do que uma ideologia é uma ciência.
Na carta, os autores dizem que “A Igreja, firme no primado de Cristo, sempre condenou o comunismo como uma ideologia infame, contrária à verdade e à lei natural, intrinsecamente má e mesmo diabólica (Pio IX, Qui Pluribus, Syllabus; Leão XIII, Quod Apostolici Muneris; Pio XI, Quadragesimo Anno, Divini Redemptoris; Pio XII, Decretum contra Communismum; João Paulo II, Centesimus Annus)”.
Nosso eterno reitor Dom Lourenço de Almeida Prado nos ensina em seu livro São Bento, o Eterno no Tempo que “o educador se movimenta conforme a receita. Com isso, é possível que evite umas certas gafes, mas perde muito de espontaneidade e de criatividade”. Talvez Paulo Lívio não tenha seguido a receita dada pela Igreja, mas com certeza cumpriu com firmeza seu papel de professor.
Esperamos que o patrulhamento ideológico da revista Veja e do prefeito César Maia não impeçam o professor Paulo Lívio de cumprir com seu fundamental papel de educador.
O Blog do César Maia pode ser visto em: http://www.blogdemocrata.org.br/exblog.asp?pagina=3&tmpini=20071129093347&tmpfim=20071129093347&cd=fw
A carta dos pais ao reitor em: http://docs.google.com/View?docid=ddvdfgft_3cnwsh8
A matéria da revista Veja pode ser vista em: http://arquivoetc.blogspot.com/2007/12/o-marxismo-de-botequim-no-colgio-so.html
OBS: a Tirinha é de André Dahmler e pode ser vista em www.malvados.com.br
criado por theorodri
20:53 — Arquivado em: 

É preciso conhecer Marx, sim senhor, o primeiro pensador a estudar o mundo como “deveria ser” enquanto os filósofos anteriores a ele se debruçavam sobre o mundo “como ele foi” ou o mundo “como ele é”. Se Marx imaginou uma sociedade utópica, isto será outra coisa a ser examinada na obra do grande gênio. O pensamento de Marx é de tal importância que deve ser conhecido até por quem deseje ser anti-marxista. Não será por haver Marx ligado a idéia de política à idéia de revolução, ou à luta de classes, que um professor o alijará do currículo.
Da mesma forma, não podemos deixar de estudar Edmund Burke apenas por ser ele o fundador do conservadorismo moderno. Ninguém haverá conhecer política sem passar pelos clássicos do pensamento político, Stuart Mill, Tocqueville, Kant, Hegel, Marx, etc.
Tem, por aí, gente patrulhando até música infantil - o cravo brigou com a rosa - sob a justificativa idiota de que tornam as crianças agressivas.
Falta do que fazer, né não?
Comentário por José do Carmo Rodrigues — 3 de dezembro de 2007 @ 8:03
É a nossa censura… totalmente explícita.
Comentário por Jussara — 3 de dezembro de 2007 @ 10:16