27/7/07
Sobre o tal caos aéreo…
Discutir o chamado “caos aéreo” virou ordem do dia em qualquer mesa de bar. Como este Blog não pode fugir deste lugar comum, ficam aqui alguns comentários:
• Segundo o seu estatuto, "a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) tem como finalidade regular e fiscalizar as atividades de aviação civil, bem como adotar as medidas necessárias para o atendimento do interesse público".
• Neste sentido está correta a avaliação do ministro da Justiça, Tarso Genro, que acredita que a Anac não tem cumprido, até agora, uma de suas obrigações: defender os direitos dos consumidores. Ele pediu à Polícia Federal para fiscalizar oito empresas aéreas e verificar se elas cumprem o Código de Defesa do Consumidor. Ou seja, o problema é do governo que não regula bem o setor, mas também das empresas privadas que visam apenas lucros.
• Já o estatuto da Infraero diz que sua missão é "atender às necessidades da sociedade relativas à infra-estrutura aeroportuária e aeronáutica, de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentável do Brasil, primando pela eficiência, segurança e qualidade".
• Muito se tem colocado que o problema do "caos aéreo" pode ser resolvido com a privatização da Infraero. Sabemos muito bem que uma empresa privada coloca em último lugar o "desenvolvimento sustentável do Brasil, primando pela eficiência, segurança e qualidade" de seus serviços.
• A imprensa colocou muito bem que a Infraero investiu nos aeroportos, não em segurança, mas sim em lanchonetes e decoração.
• A solução do caos aéreo não passa pela privatização dos serviços, mas sim por maior investimento do governo nesta área. Os recursos não são escassos, basta saber distribuí-los.
• Para resolver a tal crise, foi nomeado o Ministro da Defesa Nelson Jobim, do PMDB. Jobim já havia sido ministro do STF e ministro da Justiça de FHC.
• Com relação ao Ministro Nelson Jobim, precisamos dizer que se ele resolver a "crise aérea" com certeza estará cotado para a sucessão de Lula, seja como cabeça de chapa, seja como vice. Mas em aliança com o PT. O que não significa que seja o único candidato do governo para a sucessão. Muito provavelmente o governo terá 2 candidaturas: uma PT e PMDB; e outra do Bloco de Esquerda (PCdoB, PSB, PDT) com Ciro Gomes como cabeça de chapa.
• Por fim, é necessário dizer que o "caos aéreo" só aparece na TV todo dia porque os jornalistas que fazem a pauta da globo se atrasam em suas viagens de avião. Se eles pegassem ônibus na zona norte, eles saberiam que todo o dia o trabalhador sofre com atrasos de ônibus, e isso nunca é capa de jornal.
criado por theorodri
3:28 — Arquivado em: 

3- Lula até pode fazer um bom governo, com chances de fazer seu
sucessor, podendo até não ser do PT. Eu não acredito numa unidade do
peemedebista, salvo na possibilidade da indicação da chapa
presidencial. Por outro lado, o PT dificilmente abrirá mão da vaga de
candidato à presidente numa coligação, inclusive com o PMDB. O Bloco
de Esquerda pode emplacar Ciro Gomes, só não o fará com duas
condições: mudança na política econômica, coisa de difícil de
acontecer, e reorientação da política de alianças do PT, voltando a
privilegiar a esquerda, para, partindo deste campo, disputar o centro
político.
Pelo rumo das águas, Lula poderá ter três candidatos, se um deles será
eleito é outra história.”
saudações revolucionárias,
vogel
Comentário por Vitor Vogel — 31 de julho de 2007 @ 13:46
Por fim, três observações:
1- A elite tenta voltar às ruas. A passeata de domingo nas ruas
paulistanas é uma prova. Incentivo do Governo Estadual e generosidade
da mídia, além do casaco de pele de uma participante da marcha,
demonstra o caldo político desta manifestação. O PSDB tentou
capitalizar a passeata com bandeiras, mas a direção do ato não deixou.
Mesmo assim, eles e o DEM darão sequência à luta política para
desgatar Lula, independente da nomeação de Jobim, que tem boas
relações com a oposição.
2- A movimentação da oposição política e dos oligopólios da
comunicaçãp esbarra em um problema: a amplitude e as características
da base social de Lula. A análise da votação destes, por zonas
eleitorais, nos grandes centro deixa claro: o eleitor de Lula não usa
avião e não é mais influenciado pelo discursso mediano, similar ao
senso comum, do setores médios. Em outras palavras: a teoria da pedra
do lago, típico da sociologia-eleitoral barata, não se mantém de pé e
a tendência é que a base de Lula se mantenha coesa, salvo pequenas
exceções. Para que sua estratégia dê certo, a oposição política e os
oligopólios midiáticos terão de encontrar algo que mexa com a base da
pirâmide social, ou continuarão dialogando somente com uma pequena
parcela da sociedade.
Comentário por Vitor Vogel — 31 de julho de 2007 @ 13:47
Jobim na Defesa foi uma boa escolha de Lula. Além de ampliar a
participação do PMDB no governo, nomeou um nome de forte personalidade
para a pasta, credenciado para impôr uma política novc, capaz de
superar o “assunto do momento”.
Essa nova política deve partir da ampliação da execução orçamentária
no setor, do enquadramento das companhias aéreas e das elites
usuárias, afinal todos sabemos que as operações de Congonhas cresceram
por conta da “preguiça” da elite e da pressão da Prefeitura e Empresas
aéreas.
Comentário por Vitor Vogel — 31 de julho de 2007 @ 13:48