20/5/07
A questão do aborto
A recente visita do Papa ao Brasil provocou um bom debate que muitas vezes fica esquecido no mundo da política: a questão do aborto. Há de se dar méritos ao atual ministro da saúde José Gomes Temporão, responsável por levantar o debate. Há também de se lamentar a forma como a igreja vem mantendo o debate, com falsas acusações.
Hoje todos sabemos que as filhas da zona sul do Rio de Janeiro, quando têm uma gravidez inesperada, possuem 2 opções: ter o filho, pois possui dinheiro para sustentá-lo; ou fazer o aborto em uma boa clínica. Infelizmente isso não pode ser dito das meninas de famílias pobres que muitas vezes não têm condições de sustentar um filho inesperado nem de pagar uma boa clínica. Conseqüência? Fazem aborto em lugares sem as mínimas condições de saúde, pondo em riso a própria vida.
Como bem colocou Temporão, a questão do aborto é uma questão de saúde pública. O aborto já é a 3ª. causa de morte materna no país. Que seja feito o debate e que a sociedade se convença de que o sistema único de saúde deve assumir essa responsabilidade.
criado por theorodri
22:39 — Arquivado em: 

O tema do Aborto sempre vai gerar polemica, a minha opinião é que esse tipo de intervenção só eh executada em casos onde a gravidez é indesejada.
Acredito que a unica forma de sanar esse problema é agindo na raiz, educar cuturalmente e psicologicamente as pessoas. Pessoas mais cultas, melhores decisões;
Melhores decisões, Menos gravidez indesejada…..
Comentário por DandG — 21 de maio de 2007 @ 23:18
Théo,
Temos que ver o problema, se é que temos um problema, sob dois aspectos: visão Divina e visão humana. Pelo lado Divino, somente Ele (pra quem acredita) tem o poder de decidir dar a vida para alguém. Se existe gravidez, permissão Dele. Se o feto faleceu no ventre materno por causas diversas e a mãe está com risco de morrer, cabe a nós humanos, com todo conhecimento que Ele nos deu, fazer com que a mulher sobreviva. Já sob o segundo ponto de vista, esse vale qualquer coisa ……
Comentário por Raul Pádua — 23 de maio de 2007 @ 12:24
Ai, ai… Concordo com a questão da educação e da cultura para a tomada de decisões. Mas sei também que pouquíssimo sabemos das reais condições sociais e culturais das pessoas menos favorecidas e por isso, acreditar que uma ação de educação possa gerar resultados a curto ou médio prazo seria, no mínimo, ingênuo.
Acredito que a sociedade no geral esteja muito dividida, não dividida necessariamente entre grupos a favor e grupos contra, mas divididos internamente, humanamente e religiosamente divididos. Não há solução simples para a questão porque ela envolve uma série de aspectos éticos, humanos, sociais, culturais, religiosos, ….. Acredito que podemos cooperar trazendo fatos importantes para discussões e nãp polemizando.
Há fé e fatos, casos e “casos”, e assim vamos.
Comentário por Flávia — 23 de maio de 2007 @ 20:57
O debate da legalização do aborto não poder ficar limitado , como assim quis nosso ministro , apenas em uma “qustão de saúde pública”. Essa questão ,que é evidentemente considerável e importante não contempla o debate feminista. A questão do aborto envolve um debate muito mais complexo e efetivo : A problemática da autonomia do corpo da mulher. A lógica da sociedade patriarcal combinada com a moral cristã hegemônica pretende obetr o real controle do corpo e da vida mulher.A maternidade imposta como a razão fundamental da vida da mulher faz com que a escolha de não ser mãe se torne repudiada , uma ofensa para nossa sociedade patriarcal e machista.As mulheres precisam ter o direito de escolher sobre querer ser mãe ou não , precisam decidir sobre sua vida e seu corpo. É óbvio que existe um claro debate de classe também. As mulheres que morrem e continuam morrendo hoje por abortamenos precários são pobres . A legalização do aborto , por isso é uma questão de saúde pública mas também é uma questão de autonomia da mulher sobre seu próprio corpo e vida.
Comentário por Alana — 30 de maio de 2007 @ 21:54