Fato Social

A sociedade e o mundo da política para quem quer sair da caverna.

17/5/07

O que a DS quer ?

       O início de 2007 nos ofereceu uma nova perspectiva política com um movimento de desvirtuação do foco de alianças prioritárias com o processo de hegemonismo do PT dentro das forças partidárias progressistas tendo como gota d´água a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da câmara dos deputados. Este movimento levou à formação do Bloco de Esquerda (PSB - PCdoB – PDT), que teve como candidato à reeleição da presidência da câmara o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) como contraponto à hegemonia do PT entre as forças de esquerda. Ao mesmo tempo, o PT teve no PMDB seu aliado prioritário indicando sua guinada ao centro do espectro político.    

        Este movimento de distanciamento também ocorre na CUT (que possui direção majoritária do PT), aonde a Corrente Sindical Classista (CSC), ligada ao PCdoB, cobra cada vez mais transparência, democracia interna e independência do governo. Dentro do PT, as correntes minoritárias dizem que tudo isso é culpa do campo majoritário, norteado pela corrente Articulação do senhor José Dirceu.

       Estará sendo realizado em São Paulo o III Congresso Nacional do PT de 31 de agosto à 02 de setembro. Neste Congresso a corrente minoritária Democracia Socialista (DS) em parceria com o ministro da justiça Tarso Genro pretende apresentar uma tese que traga o partido de volta para a luta pelo socialismo. Mas há dúvidas no meio político de que o PT possa mudar. Em primeiro lugar será muito difícil que esta tese (de Genro e da DS) tenha maior força que a tese conservadora do campo majoritário de Dirceu. Em segundo lugar, nada garante que caso esta tese seja vencedora, ela será levada adiante. O medo é o de que seja apenas uma tática para se criar uma nova hegemonia dentro do partido, mas com as mesmas velhas táticas de manutenção de poder.

       Já na UNE, apesar de ainda ser mantido no plano nacional um bom relacionamento, nos estados e nas universidades a situação não é essa. No último Encontro Nacional da Juventude da DS foi aprovada em sua resolução 21ª. que:

“A conjuntura política do período recente, nos aproxima do PC do B (direção majoritária na UNE) o que, combinado com o nosso amadurecimento enquanto corrente no ME, fez com que tivéssemos uma verdadeira inserção na vida da entidade, aprovando resoluções e representando a UNE em diferentes espaços, como é o caso da CMS, bem como construindo uma intervenção real no movimento a partir das nossas Diretorias, como no caso de Mulheres e GLBT”.(…) “Isso sem falar que nós somos uma corrente minoritária no movimento estudantil”.

        Mas, se de um lado a DS admite em suas resoluções que é minoritária e que cresceu nos espaços de debate graças ao apoio dado pelo PCdoB, por outro lado essa mesma DS age de forma desleal com o PCdoB e outras forças políticas nas universidades e nos estados, rompendo alianças e realizando processos eleitorais sem transparência e diálogo com o movimento estudantil.

        A DS gosta de repetir aos quatro ventos o lema “por uma nova cultura política”. Mas ao que tudo indica o que ela quer mesmo é protagonizar uma nova hegemonia política, seja no PT, seja na CUT, seja na UNE, seja no Governo Federal do mesmo modo que a Articulação faz atualmente, sem abrir espaço para outros campos da esquerda. Esse é o PT e essa é a sua dialética.

criado por theorodri    19:02 — Arquivado em: Sem categoria

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